discussao

Discussão sobre o Código de Ética do WikiAves

Discussão sobre o texto do código de ética do observador de aves. Dê a sua opinião.

Reinaldo Guedes , 2010/01/02 00:38

Discussion

Paulo Guerra, 2010/02/02 09:35

Demis,

o processo é esse mesmo, a interpretação das palavras e das colocações estão sujeitas a quem recebe e muitas vezes ganha contornos inesperados. Mas, como tudo é um aprendizado, devemos sim, nos educar e educar sempre, pois somente com intuito da reflexão podemos melhorar nossa atuação como observadores de aves em sua ampla defesa.

Gostaria de colocar que o Código de Ética versa sobre a reflexão da conduta. Quando empregamos categorias como evitar o abuso, não se aproximar de ninhos, respeitar o guia, respeitar as normas dos parques, não colocar interesses comerciais acima dos interesses de preservação, cuidar de comedouros e bebedouros estamos apontando que devemos pensar antes de agir. Ou seja, não estamos ditando regras, estamos propondo que ao sair para observar podemos pensar que nossa atuação deva causar o menor impacto possível, pois estamos querendo nos interagir e nos integrar ao meio e não ser o agente causador de algum dano. Podemos sim, com o tempo elaborar um manual de conduta dos observadores que figurariam questões práticas e esmiuçadas. O Código de Ética é um norte de reflexão, mas que aponta a ação revestida de cuidados.

Um ponto alto e interessante deste debate são os depoimentos. Confesso que olhando em retrospectiva sobre minha atuação, comecei observando aves no meio urbano, pois queria entender como a maioria das pessoas, assim como eu, não conseguiam enxergar as “coisas” simples, que decididamente são a mais importantes para nossa vida. Até pouco tempo, não entendia os comedouros e bebedouros, assim como o uso do playback. Achava que não deveria haver aparato nenhum para se observar as aves. Fui entender que se pode fazer uso sim e cuidar da extensão desse uso. Exemplos não me faltaram para perceber que o grau de interferência é mínimo quando utilizado com critério e com objetivos demarcados: a Reserva Guainumbi e o Sítio Folha Seca são exemplos de comedouros e bebedouros bem utilizados e a atuação do Cal Martins e do Josiel Briet, exemplos de bom uso de playback e da interação com o meio. Poderia citar outros exemplos, mas me atenho aos casos conhecidos. Poderíamos propor um espaço no Avistar para esta discussão ética sobre observação de aves.

Abraços a todos

Paulo Guerra

Demis Bucci, 2010/02/02 08:27

Wow, quanta gente sem entender tanta gente :) é um que fala o outro não entende ai o outro responde e o outro tb não entende…

Bem acredito que o ITEM DO CÓDIGO DE ÉTICA é para ajudar as aves, acredito também que todos aqui querem ajudar as aves, e precisamos sim discutir isso para AVISAR, ALERTAR, quem entra no wikiaves, pessoal, tem usuários do site com menos de 15 anos de idade, e acredite, com sede de aprender, tenho contato ativo com um dos usuários (Vitor Patricio, menino de 12 anos de Lins-SP) converso com ele qse todos os dias via MSN, ele me pergunta sobre aves, fotografia e tudo mais… Olha que maravilha ter um código de ética para uma pessoa dessas?! Desde novo aprenderia o que muitos acreditam ser a melhor idéia para “cuidar” bem de uma ave na natureza.

Vamos com calma pessoal :) uma hora a gente chega lá..

Demis ;)

Claudia Komesu, 2010/02/02 00:39

Caros amigos,

O Wiki não legisla, mas o Wiki tem uma influência moral. O site, via iniciativas como essa que os moderadores fizeram, tem o poder de informar e esclarecer, e de inibir comportamentos errados.

Há poucas pessoas se manifestando, mas além do fato de que a maioria das pessoas não gosta de se meter em discussões, ainda mais quando é para se expor, a discussão está meio escondida. Sei que temos as limitações práticas de execução, mas é uma pena que ela não tenha algo como um banner de destaque na abertura. Mesmo que estivesse como um item daquela lista do lado direito, o destaque ainda seria pequeno. A maioria das pessoas tem uma aversão natural a ler listas com mais de 3 linhas… Eu por exemplo não tinha visto que o “Como contribuir” está na home. Esteve sempre lá? Não lembro.

Ruy, eu não sou um GUIA DE BIRDWATCHING com experiência comprovada. Mas conheço vários, converso com vários. E, como falei, tudo de prático e direto que eu sugeri está aberto a adições e correções.

Mas a questão é: o que é o certo? Ninguém tem certeza, certeza ampla, nem os ornitólogos com diploma de biólogos, nem mesmo um não biólogo mas com 13 anos de experiência de campo como o Edson Endrigo. O Edson colocou com humildade e cuidado o que ele já observou em campo, sem dizer “o certo é isso, façam aquilo”. Os guias com quem converso também não têm certezas. E se os ornitólogos tivessem certezas amplas sobre a questão, não estaríamos aqui preocupados com a discussão do Instituto Florestal: o IF não estaria em debate, ele só baixaria um decreto.

Eu não sou a autoridade, mas sou uma editora. E tentei colocar em texto o que ouvi de diversas fontes. As sugestões de conduta que submeti a críticas são uma mistura do que observei em campo, do que ouvi dos guias, do que soube dos biólogos. Porque a gente precisa avançar nessa conversa, para poder compartilhar com todo mundo orientações práticas. Não adianta dizer “não podemos abusar”. O que é abusar? Mas se a gente diz “de forma geral, não toque playback mais do que x minutos. Não toque playback perto de ninho. Toque o playback num volume compatível à voz natural da ave. Evite sair da trilha. Não entre na mata atrás da ave, principalmente se tocou o playback antes, não ensine a ave a fugir de pessoas. Pense duas vezes antes de chamar a ave no playback”, aí sim, estamos ajudando a disseminar orientações de comportamento.

Todo mundo concorda que não se deve abusar. Mas a gente vai ter que dissecar o que é esse abusar. Temos obrigação de fazer isso. Todo mundo que usa playback tem o direito e dever de se manifestar, ninguém deveria se inibir porque não tem diploma de biologia ou porque não é um guia de birdwatching com comprovada experiência. Todas as ciências sempre cresceram com a contribuição dos amadores, e a ornitologia é um dos maiores exemplos.

Abraços, Cláudia

Reinaldo Guedes, 2010/02/01 20:29

Diferentemente das regras internas do WikiAves, o código de ética não vem para legislar, pois está fora de sua jurisdição. Esta legislação cabe ao Instituto Florestal ou ao Legislativo. O que temos são sugestões de conduta que devem ser refletidas e discutidas, como estamos fazendo aqui.
Apesar de servir para qualquer público, o principal foco do código de ética é expor o que entendemos ser a conduta correta de pessoas que se identificam como “do WikiAves”.
Queremos que os usuários pensem nas aves e na imagem (ou mensagem) que estão passando para as pessoas na hora de fotografar, e não cometam abusos como fotógrafos ou observadores “do WikiAves”, pois isto refletirá em toda a comunidade. E não falamos isto por suposição, mas por constatação.
O código de ética serve também para mostrar para alguns observadores que o WikiAves não quer receber “fotos a qualquer preço”, pois não somos conivente com abusos.

As vezes penso que cada um deveria ser moderador por um ou dois dias, ou então deveríamos fazer um Museu da Moderação, onde colocaríamos casos de abusos que ocorrem e os usuários nem ficam sabendo. O site hoje está limpo graças a moderação que muitas vezes se baseou na ética para resolver casos onde as regras não eram suficientes.

Reinaldo Guedes

Joao Marcelo da Costa, 2010/02/01 20:26

Oi Roberto,

Pois é, também sinto falta da presença de mais pessoas nos debates…

Como alguém tem que começar, começei, quem sabe o pessoal não anima.

Gostaria da opinião dos Ornitólogos, mas não quero ficar de braços cruzados se eles não aparecerem..

Precisamos marcar uma passarinhada no Japi, quando vai me convidar? :)

JM

Roberto Gallacci, 2010/02/01 20:14

Bem JM sobre responder seu questionamento. Eu como meio novato no meio nao seria a pessoa para dizer o quanto é bom ou abusivo. Acho que ha muitos guias e fotografos aqui no site com a devida experiencia que poderiam dar suas opinoes sobre o assunto mas que infelismente nao participam dando suas opinoes nao é.

Joao Marcelo da Costa, 2010/02/01 20:05

Oi Roberto,

Não disse que vc estava brincando.Sei que vc quer o melhor para a observação de aves, aliás, acredito em vc quando diz isso, ok?

Ruy,

Belo e sincero relato sobre o ninho de Beija-flores, parabéns pela atitude de falar sobre isso…

Tá vendo? vc não tinha orientação, mas agora tem. Podemos evitar que esses erros aconteçam com os novatos.

Com um código de ética e um manual, só erra quem quer, daí é uma questão de opção e não de ignorância.

Vamos conversando. Aliás, ninguém respondeu meus questionamentos… :)

Abraços à todos

JM

Roberto Gallacci, 2010/02/01 19:39

JM acho que vc é que nao entendeu o modo que escrevi. Veja que coloquei risos logo apos o escrito certo. Foi uma maneira descontraida de escrever. Tambem sou fotografo e se estou aqui é porque gosto de fotografar aves. Passei 30 anos fotografando produtos e adoro fotografar aves. Gosto pois me relaxa,faz bem a alma sair a campo e me concentrar em ver os danadinhos e tentar fazer fotos deles. Nao estou aqui para brincar,se ver os post vera que estou participando deste forum a um bom tempo e quero assim como tds o melhor para a observaçao das aves. Um Abraço.

Joao Marcelo da Costa, 2010/02/01 19:27

Oi Roberto.

Acho que não leu todas as mensagens deste fórum ou o código de ética inteiro.

Quem quer abolir o uso do play-back?

Quem está fazendo uma caça às bruxas?

Estamos detabatendo, seriamente, um assunto que diz respeito à todos nós, pois, praticamos a atividade. Devemos participar, juntamente com profissionais do ramo e fazermos o melhor possível. Cada um, com suas experiências e limitações,pode ajudar um pouco.

Não entedi sua colocação que fotógrafo só quer fotografar. Acredito que sou mais que isso, aliás, somos MUITO mais que isso…

Eu fotográfo aves, pois, as amo demais…

Meu intuito é saber o que devo ou não fazer para que minha atividade seja parte da solução e não da parte dos problemas para a natureza, entende?

Ninguém aqui quer impor nada. Queremos orientar, segue quem quer…

Concordo com vc. O uso tem que ser moderado e não abusivo, mas a questão é:

O que é moderado? o que é abusivo? por isso do debate, do manual, do código de ética….

Abraços

JM

Roberto Gallacci, 2010/02/01 17:24

É isso ai o que o Ruy escreveu. Nao queiram fazer um codigo onde se abolir o Playback é fundamental. Tem que se fazer de maneira que isso nao se torne uma caça as bruxas rsrsr. O uso tem que ser moderado e nao abusivo. Sou fotografo,gosto das aves e nao quero mal a elas. Da maneira que estao querendo é coisa de ornitólogo e biólogo e nao de fotografos. Fotografo gosta de fotografar e Ornitologo e Biologo de pesquisar rsrsr

Ruy Salaverry, 2010/02/01 18:51

Caro João Marcelo, lembrando o que falei: ”…não acho que fotógrafos devam fazer um Código de Ética para orientar o uso do playback. Isto para mim deve ser tarefa de Ornitólogo. Guias de Birdwatching com experiência comprovada poderão nos ajudar muito nesta tarefa….”

Então eu me referi a ajuda que GUIAS DE BIRDWATCHING com experiência comprovada poderão nos dar e aí entra um Ricardo Galiardi, um Edson Endrigo e outros.

Eu não quero, não posso e não vou julgar pessoas que eu não conheço, mas me baseando nas que eu conheço posso dizer de cadeira que fotógrafo é “bicho perigoso”. Quando comecei a fotografar pássaros, descobri um ninho de beija-flor com dois filhotes e a cada dia que passava eu chegava mais perto para fotografar. Num belo dia assustei os filhotes na ausência dos pais e eles voaram um para cada lado. Espero que os pais os tenham achado e que tenham crescido normalmente mas se foram predados por outro animal por estarem sozinhos a culpa foi toda minha. Me deu pena e aprendi. Qual o fotógrafo que já não fez uma destas no início? Muitos já fizeram. Então, há fotógrafos e fotógrafos não é mesmo? Que os que fazem a coisa certa não se milindrem com minhas palavras.

Abraços Ruy Salaverry

Joao Marcelo da Costa, 2010/02/01 17:19

Oi Ruy,

Conhecendo o Luiz Ribenboim como conheço, tenho certeza que vc não entendeu muito bem oque ele quiz dizer sobre só praticar o play-back quando não se tem uma boa foto da ave…

O que ele quiz dizer, e para mim ficou bem claro, é:

- Além de tomar todos os cuidados necessários para uso do play-bak, sugiro que, além disso, só se use play-back se vc, realmente, achar que a foto que vai tirar vai ser melhor que a que vc já tem da ave ou que, seu registro, seja de grande importância.

Uma coisa é bem diferente da outra…

Quanto as regras para play-back:

Não estamos querendo tomar o lugar dos Ornitólogos, estamos aqui, para criar, com eles, um código de ética justo e respeitoso.

Acho que precisamos uns dos outros. Muita pessoas podem não ser Ornitólogos, mas tem grande experiência no assunto.

Esse debate serve, também, para os leigos saberem um pouco mais sobre a prática do play-back.

Aliás, o conceito de Ornitólogo, qual é? Como alguém se torna Ornitólogo?

Esse assunto, foi muito debatido no OrnitoBr, lembra?

Ex: Ricardo Gagliardi, não é biólogo, mas pode colaborar muito com o tema, não?

Abraços

JM

Ruy Salaverry, 2010/02/01 16:58

Meus caros, não me queiram mal, mas vou ter que deixar claro o que penso. Embora eu seja Fotógrafo, não acho que fotógrafos devam fazer um Código de Ética para orientar o uso do playback. Isto para mim deve ser tarefa de Ornitólogo. Guias de Birdwatching com experiência comprovada poderão nos ajudar muito nesta tarefa, pois ao que parece muitos são Ornitólogos também. Logicamente que até onde ele é proibido não conseguem impedir o seu uso e nós também não vamos poder obrigar principalmente os Fotógrafos a respeitar este código mas não acho que se deva fazer algumas coisas que já foram sugeridas. Por exemplo: Foi dito que se ainda não se tem uma foto boa de um pássaro que o playback está justificado. Para mim é o mesmo que dizer ao ladrão que se ele não tem dinheiro o roubo é justificado mas caso ele já tenha não se justifica. Meus caros, o que temos que ver são as condições que se faz o playback se estão sendo prejudiciais ou não aos pássaros e não se precisamos de uma foto melhor dele. Um dia estava eu no JB do Rio e observei um carrapateiro adulto atacando um jovem Carcará que depois de algum tempo desceu e se escondeu entre uns arbustos. Eu ainda não tinha uma boa foto de um jovem Carcará então eu bem poderia ir até o local para fotografá-lo por este raciocínio mas… para não correr o risco de ele se espantar e voar para ficar a mercê dos ataques do Carrapateiro eu não fui e fiquei sem a foto. Sobre deixar claro que não se deve fazer o playback perto de ninhos acho muito acertado pois se alguns podem até chegar a pisar em ninhos sem ver tem os que sabem onde eles estão e precisa ficar claro que a prática é errada. Eu já avisei a um fotógrafo que ele estava a menos de 4 m de um ninho fazendo playback e ele deu uma de desentendido e disse que não sabia e continuou. Se nós aprovarmos um código de ética tão condescendente com os fotógrafos ele pode acabar sendo apenas para fotógrafos e nada mais. Espero que quem está arregaçando as mangas e fazendo este cógigo entenda que o que quero é ajudar. Não é uma crítica apenas para mostrar êrros mas para ajudar a que cheguemos ao melhor e mais justo resultado. Agradeço a tudo que já foi feito.

Abraços Ruy Salaverry

PS.: Se tivéssemos um espaço para escrever nossas experiências com playback, e fotografia de um modo geral, nossos êrros e acertos acho que seria bem interessante.

Claudia Komesu, 2010/02/01 11:48

Amigos,

Apesar de não haver nenhum estudo que prove que o playback faz mal às aves, todo mundo intui que seu uso descontrolado ou leviano só pode ser prejudicial.

EUA e Inglaterra proibiram, mas já ouvi de alguém que viajou pra lá e encontrou birders que, apesar de proibido, todo mundo tem um gravador e usa escondido.

O playback funciona. Com o playback vemos mais de perto, ou no mínimo vemos, aves que se dependesse da pura sorte, dificilmente avistaríamos. É difícil ignorar uma ferramenta dessas.

Fora que, apesar do playbak ser proibido, assobiar não é, nem fazer pishing (não confundir com phishing). http://www.amazon.com/Art-Pishing-Attract-Birds-Mimicking/dp/0811732959. Tem a mesma essência de querer atrair as aves.

Dois pontos:

1. Acho que o Wikiaves tem poder para indicar uma linha de conduta no uso do playback. Porque quem fotografa gosta de compartilhar, e porque o abuso transparece na foto ou circula como fofoca, uma hora ou outra. As pessoas vão querer andar na linha, no mínimo para não serem condenadas pelo grupo, e se tudo der certo, porque estarão informadas do que é abusar, e ninguém quer fazer mal às aves.

2. Eu detestaria ver o playback proibido em todos os parques estaduais. Detesto me sentir refém de autoridades, ainda mais de funcionários que geralmente não receberam a orientação adequada, e costumam tratar a gente como se fosse infrator logo de cara, só porque você está com câmera grande. Será que tem alguma coisa que a gente poderia fazer para ajudar o Instituto Florestal a não se decidir pela proibição?

Porque além de tudo, seria uma solução muito antidemocrática. Quem pode pagar passeio em propriedades particulares continuaria usando o playback, e quem depende de parques públicos não poderia mais. Seria muito injusto.

Joao Marcelo da Costa, 2010/02/06 16:23

Oi Edu,

Gostei dos seus comentários…

1) Interrupção do play-back no periodo reprodutivo? Uma complicação é que muitas espécies se reproduzem em épocas diferentes, não seguem um padrão como os peixes…

2) Gostei da tática de fazer a ave vencer sempre… será que é assim que ela pensa sempre?

Acredito que, devemos usar o play-back, SEMPRE, com regras rígidas e por pouco tempo, devemos ADMITIR E ACEITAR o fracasso, a derrota para ave e irmos embora se assim vermos que aconteceu.

Acredito também que, após a identificação do bicho pela vocalização ou pela visualização, se deve chamar o bicho pelo play-back por um curto espaço de tempo, veio ótimo, não veio ou vacilou em tirar a foto e estourou o tempo, vai embora…

Abraços

JM

Eduardo Joel, 2010/02/06 15:53

Gostaria muito de ver algum comentario sobre as duas mensagens que mandei e como ninguem respondeu, nao custa perguntar de novo.

Queria saber se é so um achismo meu, se tem mais alguem que pensa igual e ainda se faz sentido pensar assim…

Edu

Eduardo Joel, 2010/01/31 16:23

Pra mensagem nao ficar muito longa vou dividi-la em duas partes: uma falando sobre a duração do playback e outra sobre a proximidade de ninhos.

Tenho ainda menos experiencia em playback que o Luiz, mas observo bastante quem usa e tenho tentado formar um raciocinio logico (coisa de engenheiro que precisa explicar tudo): Passaros atraidos por playback sao aqueles territorialistas que pretendem defender o seu territorio. Se usamos o volume muito alto ou reproduzimos o canto por muito tempo o passaro sente-se mais fraco que o suposto intruso de seu territorio (playback) e o tiro sai pela culatra, ou seja, ao inves de atrairmos o passaro ele se afasta, pois perdeu a disputa.

Quando o passaro responde ao playback e se aproxima, seu uso tem de ser mais espaçado e o volume diminuido, como se o passaro (playback) estivesse se afastando por ter perdido a disputa. Dessa forma consegue-se melhor exito, pois o passaro que pretendemos fotografar se aproxima e ainda faz pose de vencedor.

Edu

Claudia Komesu, 2010/02/07 01:02

Eduardo,

Ainda não pude passarinhar intensamente no período de setembro-outubro. Mas, como falou o Endrigo, que tem 13 anos de experiência intensa, se a ave está fazendo algo que considera mais interessante, ela não responde ao playback. Isso inclui no geral cuidar de ninho e filhotes.

Acho que não devemos tocar playback perto do ninho principalmente por respeito a esse momento importante da ave. Mas acho que na maioria das vezes não temos o “poder” de atrapalhar tanto assim o ciclo de vida dela. A ave vem, mas quando ela cansa ela vai embora, às vezes é logo, às vezes ela fica mais um tempo. E nesse meio tempo, ela se alimenta, pega uma larvinha, um inseto…

Nesse começo de ano fui pra Intervales, mas a maioria do que vimos foi a sorte de topar com o bicho andando por aquele lugar repleto de aves, porque playback mesmo elas estavam ignorando. Me falaram que em Ubatuba também estava assim, e no sul da Bahia também.

Em resumo, acho que não precisamos pensar em piracema, porque como o João Marcelo falou os períodos são diferentes, e também porque eu acho que não é um rigor necessário. Acho que o mais importante é o volume da gravação não ser mais alto do que seria o canto da ave, ser breve, tentar não voltar atrás da mesma ave no mesmo ponto no dia seguinte. E cuidados extras se avistar um ninho, pra gente não prejudicar o filhote.

abraço, Cláudia

Eduardo Joel, 2010/01/31 16:35

Outra coisa que muitos falam é: nao tocar playback proximo de ninhos.

Eu pergunto: quantos de voces ja encontraram ninhos durante as passarinhadas? Muitos podem dizer que ja, dai pergunto: quantos ninhos? Provavelmente a resposta seja nao muitos. Os passaros camuflam os ninhos para nao serem encontrados por predadores que possuem visao e olfato muito mais aguçados que os nossos…as chances de encontramos ninhos é muito remota, entao se for atrelar a proibição de playback à presença de ninhos tem de se fazer por periodo reprodutivo, como a piracema: na epoca de criação, nao usar playback.

Ainda assim gostaria de ouvir a opiniao de especialistas, pois acredito que na epoca de procriação o playback nao tenha muito efeito, explico o meu raciocinio: os passaros cantam para cortejar a femea, quando as femeas estao chocas ou com filhotes nao “entram no cio”, logo nao precisam ser cortejadas, tanto é assim, que os machos cantam menos nessa epoca do que no inicio da primavera quando estao todos formando casais e construindo ninhos, disputando as femeas pelo canto e rituais de acasalamento.

Na minha opiniao de leigo, se uma femea esta chocando e um macho (ou playback) canta proximo dessa regiao, o macho (marido da femea que esta chocando) nao responde ao canto, mas chega sorrateiramente e expulsa o invasor na marra (briga). Isso pode ser observado facilmente com os passaros mais comuns como coleirinho, canario da terra, ticotico, etc.

Edu

Luiz Ribenboim, 2010/01/31 16:03

Edson, João Marcelo,Claúdia e demais companheiros:

Acho super importante essas colocações sobre playback. Minha experiência é muito menor que a do Edson, mas me aventura a fazer aqui umas colocações.

Já ouvi alguns companheiros dizerem ( como o próprio Edson ) que na Europa e Estados Unidos não se pode fazer playback. Ora, nesses países a observação de aves já rola hámuito mais tempo que aqui, e me parece que se eles tomaram essa medida extrema é por que algum mal ela pode provocar. Como não é possivel ter controle sobre quem faz um uso razoavel e quem exagera, por lá eles resolveram proibir. Do jeito que está crescendo entre nós brasileiros o numero de gente que fotografa aves,é importantíssimo e urgente refletir sobre esse tema. Já há relatos de locais aqui que a direção de unidades de conservação pensa em proibir o playback, justamente pelo exagero de alguns fotografos. Se não nos concientizarmos todos e não fizermos um esforço para seguir o bom senso no uso desse instrumento, é possivel que essa proibição do uso nos alcance também, pagando os justos pelos pecadores.

Na minha relativamente pequena experiência tirei algumas conclusões. Uma delas é que a ave geralmente ( notem que não disse sempre, mas em geral ) responde melhor e aparece com mais facilidade nos primeiros minutos em que começamos a chamá-la. Seria interessante limitar o uso então a esses primeiros 5, dez minutos no máximo, pois na maioria dos casos n]ao haveria prejuízo parao fotografo em termos do aparecimento da ave.

Outra coisa que poderia ser pensada é evitar fazer playback quando já se tem uma foto muito boa da ave. Não estou me referindo aos guias de birdwatching, que precisam mostrar aves aos seus clientes, e sim à grande maioria de nós, que não vive dessa atividade. Mas mesmo esses guias, na minha modesta opinião, poderiam seguir algum tipo de código de conduta, em que o respeito à ave fosse a linha mestra.

Enfim, essa discussão é necessária e oportuna. Espero que muitos outros companheiros participem. Vou copiar para o forum do codigo de ética, como sugeriu o João Marcelo.

Abçs,

Luiz Carlos

Reinaldo Guedes, 2010/01/31 15:57

Obrigado por participarem desta discussão, estava mesmo sentindo falta de mais opiniões.

O código de ética atual não proíbe, pede que o observador “evite” o uso do playback. Mas ele é breve no assunto, não detalha muito, mas também não pode ser muito extenso, tem que ir direto ao ponto. Talvez possamos fazer um detalhamento de alguns assuntos, já temos muitas informações sobre a conduta dos Guias por exemplo, pode ser um detalhamento do código de ética, ou até um “Manual de Conduta” complementar ao código de ética, mais extenso, explicativo, com exemplos, etc.
Não podemos desvirtuar o objetivo do código de ética atual, que está bem explicado nas mensagens do Paulo Guerra do dia 13/01/2010.

Reinaldo Guedes

Claudia Komesu, 2010/01/31 14:51

Caros amigos,

Comecei a rascunhar um item sobre o playback. Sem a pretensão de ser um texto completo ou final, posto aqui para que os outros possam complementar ou me corrigir:

Use o playback com responsabilidade

O playback é uma ferramenta poderosa para atrair as aves. O observador de aves responsável deve seguir estas recomendações:

- não use o playback em locais proibidos. Se o parque proíbe o uso, não use e não tente enganar os funcionários. Essa atitude prejudica todos os observadores de aves no Brasil.

- não use o playback sem necessidade. Ou seja: ao ver ou ouvir a ave, primeiro pense se você realmente precisa chamá-la. É uma espécie que você já observou ou fotografou? Parece haver condições reais de você obter uma foto melhor ou a luz não está perfeita? Se você decidiu que quer tentar vê-la, primeiro tente uma aproximação silenciosa e lenta. Às vezes basta ter um pouco mais de paciência, lembre-se sempre de que a ave é um animal selvagem. Essa técnica vale para o caso de você não precisar sair da trilha.

- se você avistou ou viu a ave, mas ela se afastou da trilha, primeiro tente observar se há ninho. Se você avistar o ninho, ou souber que lá é o local do ninho dela, nunca toque o playback.

- Caso pareça não haver ninho, toque o playback em volume compatível ao que seria o canto natural da ave. A insistência varia de espécie para espécie mas, de forma geral, tente sempre essa abordagem: toque o canto ou o chamado de uma a três vezes seguidas e espere alguns minutos. Fique atento, porque muitas aves se aproximam silenciosamente: quando você menos espera elas estão na sua frente, olhando pra você. Se ela não respondeu, você pode tentar tocar mais três vezes. Aguarde mais alguns minutos. Nunca fique tocando o playback ininterruptamente, nem em volume alto.

- Há exceções, mas de forma geral, se a ave responde ao playback mas não sai do lugar, geralmente ela não se aproxima. Desista. Na volta da trilha, pode até tentar no mesmo ponto.

- Evite entrar na mata atrás da ave. Principalmente se você estiver em parques públicos, em que é proibido sair das trilhas demarcadas, e principalmente se você tiver tocado playback. Se você toca o playback e depois quando ela não se aproxima o suficiente você entra no mato atrás dela, você está ensinando a ave a fugir das pessoas. Não seja egoísta com os próximos observadores, e respeite o espaço da ave.

- Evite ir dois dias seguidos atrás da mesma ave, no mesmo ponto.

- Se você ou o grupo já viu e fotografou, interrompa o playback, mesmo que a ave ainda estivesse interessada no canto.

- Cuidados especiais perto de ninhos: encontrar um ninho ativo aumenta muito as suas chances de ver a ave, e quem sabe o filhote. Cuidado redobrado: nunca toque o playback, mantenha distância do ninho, nunca altere o ambiente, por exemplo quebrando galinhos e tirando folhas do redor, porque essa ação pode fazer a ave abandonar o ninho, ou no mínimo deixá-la mais exposta a predadores. É comum o adulto chegar com alimento, mas não se aproximar por causa da presença das pessoas. Claro que todos querem a foto da ave alimentando o filhote, e o quanto a ave é tímida depende de espécie para espécie. Mas de forma geral, vá embora se em 15 minutos a ave manteve a distância. Não deixe o filhote passando fome.

- Não toque o playback numa área em que as aves estão fazendo suas exibições de acasalamento, ou treinando as danças (como os piprideos fazem).

- é uma delícia sair para fotografar com os amigos, mas infelizmente, uma coisa é fato: quanto maior o grupo, menor a chance de ver as aves, ainda mais de vê-las de perto. Sugestão: se o grupo é grande, divida, e cada um faz um pedaço da trilha. De forma geral, grupos com mais de 3-4 pessoas costumam ser demais para a maioria das aves.

Roberto Gallacci, 2010/01/31 12:05

Foi muito apropriado esta explanaçao de como o Edson Endrigo usa o playback. Acho que abolir o uso do playback nao é o acertado nao,o uso tem que ser bem dosado senao duvido que se consiga muitas fotos sem usar deste artificio,uma grande parte de fotos aqui postadas de aves que em sua maioria ficam entocadas no meio da vegetaçao nao seria possivel fotografa-las sem o uso do som. Mas como ja disse anteriormente tem que ser bem dosado nao usado com excesso e sempre ter o bom senso de tomar o maior cuidado em nao passar do limite seja de volume e de tempo com o playback ligado. Querer abolir o uso nao creio que seja o mais adequado. Bem é minha opiniao,um simples Fotografo de aves que gosta destes animais e nao quer mal de maneira alguma causar a elas e nao de um Ornitólogo ou Biólogo.

Edson Endrigo, 2010/01/31 11:53

Olá! Eu gostaria de deixar a minha opinião sobre o play-back de duas maneiras diferentes, pois eu trabalho como fotógrafo especializado em fotografia de aves e também como guia para os observadores de aves:

O FOTÓGRAFO: A mais de 13 anos eu utilizo a técnica do play-back para atrair as aves e ao longo desse período eu pude notar alguns comportamentos, são eles:

1 - A ave ignora a voz reproduzida e nem se aproxima, pois esta fazendo algo que considera mais importante.

2 – A ave aproxima-se, porém percebe que não existe ave alguma ali e não se aproxima mais.

3 – A ave responde ao play-back com vontade e retorna sempre que for chamada.

Eu acho que devemos prestar atenção no item 3, pois é nesse momento que o fotógrafo tem que ter sensibilidade, ética, ou até mesmo pena da ave para deixá-la em paz após perceber que a ave já esta irritada demais com a gravação. É claro que eu já passei dos limites várias vezes, mas tento me policiar e cada vez respeitá-las durante o meu trabalho. Aproveito oportunidade para mencionar que eu NUNCA vi nada de mal acontecer com uma ave ao responder o play-back, mas eu não sou biólogo e acho que isso tudo deve mesmo ser estudado.

O GUIA para Birdwatchers: Há cerca de 10 anos eu guio observadores estrangeiros pelo Brasil utilizando o play-back para atrair as aves. Durante esse período eu pude aprender e perceber o seguinte:

1 - O play-back não é aceito por todos os observadores de aves em países como os EUA e a Inglaterra, porém quando eles vêm ao Brasil eles percebem a enorme dificuldade de se observar inúmeras espécies aves nas florestas e nos cerrados e aí passam a entender mais o uso do mesmo.

2 – Após a ave ser observada pelo grupo, o play-back é interrompido imediatamente, pois eles não gostam que o guia continue a tocar o canto da ave depois que ela foi bem observada.

3 – Não gostam e nem permitem que o canto seja tocado na frente de um ninho de uma ave que não foi ainda observada.

Eu aprendi e ainda estou aprendendo durante os meus trabalhos como melhorar o meu comportamento quando utilizo o play-back, mas de uma maneira geral eu acho que essa importante ferramenta deve continuar sendo utilizada por todos que amam e respeitam as aves.

Eu acho que se nós motivarmos a ética nós criaremos observadores e fotógrafos ecologicamente corretos. Um abraço

Edson Endrigo

Ruy Salaverry, 2010/01/30 20:32

Meus caros, realmente esta parte do playback ficou meio estranha e a meu ver deveria ser revista. Agora falta pouco pois já temos um cógigo e falta apenas uns pequenos ajustes. Ele não pode estar desencorajando o uso do playback e ao mesmo tempo sabermos que a cada dia que passa temos mais gente comprando gravador e microfone direcional, fazendo tranquilamente suas gravações e fotos de pássaros ariscos que só se aproximam devido ao uso do playback. Se o código de ética não for revisto será um grande incentivo a que alguns “pequenos detalhes” sejam simplesmente omitidos e que na prática nada mude. Abraços Ruy Salaverry

Joao Marcelo da Costa, 2010/01/30 20:15

Oi Cláudia,

Estamos em sincronia…

Sou à favor de critérios para o uso de play-back, mas não de proibí-lo ou de torná-lo anti-ético.

Sou a favor de um manual de etiqueta para os observadores e fotógrafos de aves, algo bem mais completo e abrangente, com capítulos e tudo mais,como já comentei no começo do fórum. Na época, não tive apoio, quem sabe agora dá!

O código de ética foi um bom começo, mas ainda está vago e pode ser interpretado de várias maneiras, tornando vários tópicos polêmicos.

Vamos conversado…

JM

Claudia Komesu, 2010/01/30 19:54

Caros amigos, desculpem pelo atraso em me manifestar. Demorei para ler o código, porque como havia participado de um pedaço das discussões, inclusive pessoalmente com o João Marcelo, achei que estava por dentro do assunto.

Li o código ontem, li os comentários do fórum, e tem uma coisa que não ficou clara pra mim: o Wiki é contra ou não é contra o uso do playback? Pela redação do código o Wiki é contra, porque diz “evite o uso do playback …”, que é diferente de “se for usar o playback, siga essas e essas diretrizes…”. E o comentário do Reinaldo Guedes também parece apontar para ser contra o uso em qualquer circunstância (ainda mais se tiver um pitiguari por perto ;o)). Mas os comentários nesse forum indicam que ninguém, ou poucas pessoas, estão pensando em deixar de usar o playback. Todos são a favor de usar com os devidos cuidados, mas alguém está pensando em parar de usar?

Entendo que o código seja feito pensando principalmente nos novatos, mas se é um consenso que o uso do playback com os devidos cuidados não faz mal às aves, precisaríamos alterar a redação. Senão vamos parecer hipócritas. Eu já estou me sentindo mal, achando que preciso tirar a foto do bicudinho-do-brejo, porque foi feita com o playback, é uma ave ameaçada, eu contei num comentário aberto o tipo de ambiente onde encontrá-la (e após ler o código, apaguei o comentário), ou seja, cometi umas 3 infrações numa foto só.

O Instituto Florestal está debatendo proibir o playback em todos os parques públicos. Todos. Eu já era tratada como criminosa por entrar com uma câmera grande, se isso for aprovado, os guardinhas terão um motivo a mais pra me abordar. Ou melhor, aí eu não ponho mais os pés em parques públicos.

Mas eu posso ir para lugares não púlicos. Posso pagar hospedagem e deslocamento para outros lugares. E quem fica mais dependente dos parques públicos?

Estou supondo que o Wiki não é contra o uso do playback, só contra o abuso. Acho que precisaríamos mudar a redação, pra no mínimo não dar um motivo a mais pro pessoal do Instituto Florestal achar que o certo é proibir o playback.

Felipe Gomes, 2010/01/24 11:48

Olasss Como não comentei nesse tópico ainda…vão meus pontos de vista:

Acho que o código esteja bem completo, e de facil entendimento. Extenso, e poucos o lerão inteiro por esse motivo, mas esta completo! A pedra foi lançada! Acho que, como comentado, terá mais a funçao de “garantir” a repreensão do que educar. Parabens pela compilação!

O uso ponderado e com responsabilidade de atrativos artificiais é uma forma muito interessante de realizar a educação ambiental! Com toda certeza. Mas independente da vegetaçao circundante, acho que a disponibilidade nao poderia ser regular! No meu ponto de vista, ele deve ser apenas um atrativo, não uma fonte alimentar cotidiana. Memso que isso acarrete a “não garantia de atraçao” de todas espécies!

O uso do play-back é muito complico! Se assoviando, a gente a consegue atrair e irritar algumas espécies, imaginem uma reprodução “fiel”! Discutir o tempo de reproduçao do canto é “chover no molhado”. 15 minutos é muito pra uns, pouco pra outros, mas qualquer tempo interefere. Como controlar quanto tempo de play-back foi utilizado na foto publicada? Muitissimo complicado!! Acho que seja o pior dos temas discutidos!! Mas também é uma forma de conhecimento, pesquisa, educaçao-ambiental e também tem papel social, (gera empregos)! Infelizmente, ainda acho que implorar bom senso é a melhor saida!

É isso ai… Abraços

Paulo Guerra, 2010/01/22 01:19

Prezados,

Gostaria de reproduzir um pequeno texto de Adriano Gambarini, geólogo, espeleólogo e fotógrafo da natureza há 15 anos:

A fotografia de natureza tem 4 princípios básicos: desapego, dedicação, entrega e respeito.

* Desapego de si mesmo, do status, do ego.

* Dedicação ao trabalho, ao aprendizado constante, à persistência em fotografar a natureza, como ela é.

* Entrega àquele momento, à responsabilidade de estar ali, documentando e convivendo com a natureza.

* Respeito à verdade, à informação contida na imagem.

Olhar a natureza por este prisma é se permitir ser parte dela. Isto não tem volta.


(Encantadores de imagem, Revista Terra da Gente, dezembro de 2009)

Matéria completa disponível em http://eptv.globo.com/terradagente/terradagente_interna.aspx?284209 Acesso em 22 jan. 2010

Roberto Gallacci, 2010/01/18 18:45

Ola pessoal desculpem minha ausencia desde a colocaçao do Topico no Dia 14 pois fui viajar no dia sequinte e nao pude acompanhar a troca de informaçoes aqui com amigos. A Reserva Guainumbi do amigo Joao Marcelo é um exemplo de trabalho fauna/ambiental que deveria ser seguido. Como disse na postagem inicial espero que nao tenham me levado a mal sobre o assunto que coloquei para debater-mos,trocar-mos umas ideias. Um Abraço a tds.

Tomaz Melo, 2010/01/16 16:29

Olá a todos,

Acho os comedouros muito importantes para se trabalhar a educação ambiental, principalmente com crianças, já trabalhei muito nesse campo e já vi casos de pessoas que prendiam aves em gaiolas e que ao invés de fazer isso hoje tem um comedouro no jardim e apreciam ver esses animais livres quando vem visita-los. É uma oportunidade que algumas pessoas que não estão acostumadas a sair a campo como nós tem de apreciar com seus próprios olhos as belezas do lugar, quando o João Marcelo disse que muita gente vai a Ubatuba e fica maravilhada quando ve essas aves no comedouro de um restaurante isso é muito importante pois a maioria das pessoas realmente não sabe a beleza que tem naquele lugar, isso no final pode gerar uma mudança de atitude dessas pessoas com relação a natureza!

Abraço a todos.

Joao Marcelo da Costa, 2010/01/15 11:10

Oi Ruy,

Não sei se somos exemplo para alguma coisa. Acho sempre importante reavaliarmos nossas atitudes, ouvir conselhos e sempre querer aprender.

No momento faço o que acho certo e isso me faz dormir tranquilo.

Acho importante alguns comedouros por aí. Veja Ubatuba, o Restaurante Tropical tem um comedouro, puramente para atrair fregueses. Ele é beira de mata e portanto vai muito bicho lá…

Vejo a cara das pessoas que vão lá. Tomam sustos.Olha! que bicho lindo! vc soltou aqui? acabam descobrindo que aquele lugar não é só praia, mar e barraquinha de pastel e cerveja….

Eles tem sua missão e o impacto questionável causado por eles é infinitamente menor do que os efeitos positivos de educação da população…

Abraços e obrigado pelo espaço.

JM

Ruy Salaverry, 2010/01/15 10:45

Pelo que nosso amigo João Marcelo nos declarou a Reserva Guaianumbi serve como um exemplo da ação correta quanto a utilização dos comedouros.

Abraços Ruy Salaverry

Joao Marcelo da Costa, 2010/01/15 09:57

Quanto as pousadas e Hotéis que o Ruy comentou. Falo o seguinte:

Acho um absurdo se fazer comedouros em locais que nem vegetação adequada foi preservada ou reflorestada no local. Isso mostra um interesse, no mínimo, sem projeto ou consciência ambiental.Aves precisam de árvores, de mato, de flores, de seu habitat e não SÓ de comedouros.

Agora, se tudo está ok. O local cumpri com sua função. Não vejo problema de se ter comedouros e bebedouros com oferta controlada, pelos motivos que expliquei lá embaixo e, modéstia parte, tenho uma bagagem e histórico de 4 anos nisso.

Sem querer fazer propaganda, mas já fazendo, ou pelo menos justificando.

Já reflorestamos mais de 10ha na Reserva Guainumbi, com mais de 10.000 mudas plantadas e na mata secundária, foi feito um projeto de enriquecimento ambiental com mudas e sementes de Palmito Jussara.

Na pousada, plantamos muitas árvores atrativas para Beija-flores e acreditamos que, em poucos anos, o uso dos bebedouros não vai ser mais necessário.

JM

Joao Marcelo da Costa, 2010/01/15 09:43

Oi Edson,

Obrigado pelo link…

Esse assunto já foi debatido no Ornitobr e foi bastante questionado. Além disso, existem fatores desta matéria que não existem no Brasil, como o grande hábito de se instalar comedouros pela população( aqui, nós brasileiros, preferimos gaiolas) e o inverno rigoroso de lá. Não acredito que o número de comedouros de nosso país e a quantidade de alimento oferecido neles seja o suficiente para causar qualquer um desses problemas…

Abraços

JM

edsoncaminhosetrilha, 2010/01/15 09:36

Bom dia a todos. Sobre os comedouros artificiais, no site blog ambientebrasil tem uma reportagem sobre os impactos causados pelos comedouros para pássaros no Reino Unido: http://blog.ambientebrasil.com.br/?p=1252

Joao Marcelo da Costa, 2010/01/14 23:17

Caros,

Vou dar a opinião de quem tem comedouros e bebedouros, portanto sei a parte prática da coisa e vejo o ritmo e frequência deles durante o ano.

Beija-flores gostam de flores e pássaros de frutas nativas e ponto. Eles se utilizam dos recursos artificiais em épocas de pouco alimento na mata.

Vejam a diferença:

Inverno: gastamos 8 cachos de banana por mês. Verão, não vai nem 1 cacho Inverno :gastamos 10 sacos de açucar por mês. Verão, menos de 3 sacos.

Além disso, os comedouros e bebedouros podem ser utilizados por poucos indivíduos de cada espécie, a maioria, por competição, nem chegar perto deles, conseguem.

Mais uma informação. As aves comem muito e o número de indivíduos que os frequentam é imenso, portanto, não dá para uma ave viver do comedouro.

Posso dar inúmeros exemplos de comedouros que ficam vazios em épocas de frutas e flores….

Além disso, o recurso de comedouros e bebedouros é muito útil para educação ambiental e formação de novos observadores de aves.

Eu aprovo os comedouros, até que se prove o contrário.

Ofereço a Guainumbi para qualquer tipo de pesquisa nesse sentido, pois, para nós, o mais importante são as aves.

Atenciosamente

JM

Ruy Salaverry, 2010/01/14 22:55

Olha Roberto, achei bem interessante sua colocação. Comedores geralmente estão em hotéis e pousadas que querem atrair muitos pássaros para assim ter o que mostrar aos seus hóspedes não é mesmo? Aí começa a parte comercial da observação de aves. Será que com menos comida nos comedores teríamos menos pássaros, menos hóspedes e menos dinheiro na conta? Ou não haveria impacto algum? Outro detalhe a se analisar com carinho.

Roberto Gallacci, 2010/01/14 20:52

Pessoal nao me levem a mal com a pergunta que farei. Fala-se tanto do Playback;mas e os Comedouros tambem em demasia nao acabam afetando a vida da ave perante a natureza. O animal fica sempre na dependencia de ter alimento ali lhe esperando e vc acaba por viciar a ave. Acho que deveria nao sei como de haver um modo de minimizar o uso deste artificio. Mas como disse antes na troca de opinioes sobre o playback o bom senso deve imperar tambem neste quesito nao acham????? É só para saber a opiniao dos colegas a respeito.

Ruy Salaverry, 2010/01/13 23:32

Meus caros, só quero lembrar um detalhe: Há pessoas neste grupo e não devem ser poucas, que não precisarão ver este novo “código” que está sendo elaborado pois bem sabem o que devem e o que não devem fazer. E ainda por cima muitas vezes pessoas que dão sugestões não sabem a metade do que elas sabem mas estão gastando o seu tempo para tentar ajudar a orientar aos que realmente precisam desta orientação. Que estas pessoas já formadas, pós graduadas e cheias de experiência não achem que alguém está baixando normas para elas ok? Os que realmente precisam irão agradecer.

Roberto Gallacci, 2010/01/13 11:06

Concordo com vc Paulo. Um Manual de Conduta é mais adequado ao que se propoe aqui.

Paulo Guerra, 2010/01/13 04:18

Caros,

porque um código de ética e não um manual de conduta do Observador de Aves?

Porque a discussão em fórum aberto e não a simples publicação?

Entendo que um código de ética, não é uma simples listagem de restrições ou de recomendações para que os usuários/observadores possam seguir. A ética, não é propriamente a conduta ou a moral que está sendo defendida ou exposta. É justamente a reflexão sobre a moral, sobre a norma ou conduta. Enquanto, a moral é passageira, muda, se transforma, a ética deve ser perene e fazer refletir sobre os propósitos que se colocam a cada tempo.

Levando em consideração, o que está sendo proposto é justamente a reflexão sobre determinados pontos. Este código, por sua natureza, não poderia ser simplesmente publicado e sim, aberto para que todos pudessem participar com suas reflexões, dúvidas, ponderações e contribuições.

Abraços

Paulo Guerra, 2010/01/13 04:03

Caros amigos,

À primeira vista a preocupação central para a elaboração de um código de ética seria um usuário/observador que não estivesse familiarizado com as saídas programadas, com este universo dos birdwatchers. Ou seja, fosse um iniciante, exemplo, aproximação descuidada de ninhos, de filhotes e assim por diante. Está certo que o código contempla os diversos modos de observação e os vários perfis de observadores. É surpreendente como o espírito de competição, muitas vezes, suscita atitudes intempestivas e impensadas.

O que falta é lançarmos a ideia do fair-play: ganhar é bom, colecionar lifers é ótimo, demonstra objetivação, mas não preenche decisivamente a instância de qualquer ambientalista, ornitólogo, observador que é a proteção primeira e última das aves. Só faz sentido qualquer atividade humana de contato com a avifauna, se for para conhecer e proteger. Se você vai anotar, usar binóculo, gravador de som, câmera fotográfica não importa, ou mesmo, comedouros, bebedouros, play-back. Não é condenável a prática e sim o abuso. Tudo em essência tem que visar o bem e o respeito as aves.

O fair-play significa poder entrar em contato com a natureza, poder conhecê-la melhor, estabelecer essa relação de cumplicidade, rever-se, refletir quando sozinho, estar com os amigos, aprender a escutar, avistar, observar demoradamente quando possível, perceber os sinais, o comportamento, ser solidário com os companheiros, refletir sobre o impacto que causaram ou que vc pode causar ao ambiente e aos seres vivos, apoiar iniciativas de conservação e assim por diante.

O fair-play pode denotar ainda, a capacidade de entender que o jogo, por lúdico e apaixonante que seja, não deve subverter os fundamentos básicos de uma atuação e de uma postura marcadamente visando o bem comum.

Não falo em tese, discorro sobre o possível, o factível, o exemplo. O código de ética é o atestado que pensamos de maneira completa essa atividade e não somente como algumas cartas a serem jogadas.

Ao terminar minhas reflexões, lembrei-me de um conto do Machado de Assis intitulado: “A Teoria do Medalhão”. Quem quiser ler é um diálogo curto e muito instrutivo:

http://machado.mec.gov.br/arquivos/html/contos/macn003.htm#teoria_do_medalhao_abaixo

Abraços

Roberto Gallacci, 2010/01/12 16:00

Bem quero relatar um fato de como fotografei hj um Barbudo rajado. Chequei a Serra do Japi e estava um verdadeiro cemitério sem um barulhinho sequer somente o barulho do vento na vegetaçao. Tenho uma relaçao das aves que por la habitam e escolhi uma O barbudo rajado. Liguei meu playback por mais ou menos 2 min e apareceu o minino sobre o galho de uma arvore atras de mim rsrsr. Acho que usei o bom senso ou foi demais os 2 min usado na vocalizaçao.

Ruy Salaverry, 2010/01/12 13:41

Quero relatar aqui um fato ocorrido no PNT, no Rio de Janeiro. Não vou citar nomes e pelo motivo que eu os desconheço também. Como alguns sabem, eu ando registrando os hábitos alimentares de várias Juruvas verdes no PNT. Isto tem me dado um belo material. Há alguns meses, numa estrada fechada a carros do PNT passei por um local onde tem vários buracos no barranco e ali tinha um ninho ativo. Passei fiz o playback, ouvi a resposta uma vez e não parei. Logo atrás de mim vinham dois indivíduos fotografando. Fui até o final da trilha e voltei e bem a menos de 4 m do ninho estavam lá os dois indivíduos maravilhados com a “descoberta” fazendo playback e fotografando. Parei ao lado deles e os avisei que eles estavam muito próximos ao ninho e que sendo ninho ativo os adultos ariscos não iriam alimentar os filhotes enquanto eles estivessem ali e a fome deles seria pela atitude que estavam tendo. Se ficassem mais distantes as teriam fotografado entrando no ninho. Parece que entrou por um ouvido e saiu pelo outro sem gravar nada. Já deveriam estar ali a um bom tempo e nem sei por mais quantos minutos ficaram. Roupa camuflada, gravador a tira colo mas era apenas pose. Quanto vale uma boa foto? Vale a fome de filhotes que ficam esperando estas criaturas sairem dalí? Espero que estas FIGURAS leiam minhas palavras e se lembrem de que eram elas a molestar o sossego de um ninho. Abraços Ruy

Paulo Guerra, 2010/01/13 00:31

Demis,

você tocou em um ponto fundamental, muitas vezes, não generalizando, falta ao observador de aves, o tempo de observar. Muito bem colocado. Abraço

Demis Bucci, 2010/01/12 08:45

Volto a dizer acredito em usar o playback na resposta da ave sempre… e costumo usar tb o som de acordo com o que o bicho canta.. se ele canta baixo eu abaixo o som pra tocar..

Concordo com o Macarrão, nunca sabemos se estamos perto de ninho ou não e nunca sabemos se tem filhotes sendo alimentados ou não, por isso precisamos estipular um tempo para o playback, por isso acredito que a observação inicial da ave é muito importante, dar um tempo a ela ver o que ela esta fazendo no local.. já consegui fotografias de aves alimentando filhotes por reparar o trajeto que a ave percorria, 15 minutos que o João Marcelo disse e que muitos estão esquecendo ou não estão ponderando é o tempo de espera, observação, chamar a ave, esperar ela responder, etc, etc, e tals…

Acho que precisamos sim estipular um tempo para playback para as pessoas, Paulo infelizmente tem muitas que não tem consciência, com isso quem usava o playback exagerado pode começar a ter consciência do que está fazendo.

Alexandre Faitarone, 2010/01/11 22:55

Bom senso talvez seja o melhor instrumento de medição, pois cada caso é um caso….às vezes para uma mesma espécie pode variar, dependendo do local, ocasião, etc…..mas passar dos 15-20 minutos ininterruptos (ou com pouco intervalo) eu já acho que foge ao bom senso….


 
wikiaves/discussao/codigo_de_etica_do_wikiaves.txt · Last modified: 2010/01/09 12:57 by admin